Cada doente com SIDa custa 10 mil euros por ano.

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Cada doente com SIDa custa 10 mil euros por ano.

Mensagem por flaviorochafaria em Dom 30 Nov 2008 - 11:49

30 Novembro 2008 - 00h30
Saúde - Dia Mundial da Sida assinala-se amanhã


Cada doente custa 10 mil € por ano

Cerca de 22 mil pessoas infectadas com o vírus da sida (VIH) estão a fazer medicação antirretrovírica, tratamentos que representam uma despesa de cerca de dez mil euros por ano por cada doente. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) gasta mais sete mil euros quando o doente toma medicamentos inovadores.

Estes são os números de doentes em tratamento, apesar de os registos oficiais apontarem para 33 815 casos de infecção desde 1983.
Estes dados foram revelados em Lisboa, durante um workshop no âmbito do Dia Mundial da Sida, que se assinala amanhã, dia 1 de Dezembro.
Eugénio Teófilo, médico internista do Hospital dos Capuchos, em Lisboa, explica que, dos 33 815 casos diagnosticados desde 1983, hoje fazem medicação entre 20 mil a 22 mil infectados. Muitos não tomam medicamentos porque são assintomáticos (não têm sintomas) e outros doentes faleceram entretanto.
Os doentes dispõem hoje de mais de vinte fármacos no mercado, mas em muitos casos é possível um tratamento com um ou dois comprimidos, ao contrário de há alguns anos, em que os doentes tomavam vinte ou mais comprimidos por dia.
Armando Alcobia, director dos serviços Farmacêuticos do Hospital Garcia de Orta, em Almada, unidade que trata um milhar de doentes, referiu que o hospital gasta cerca de dez milhões de euros por ano no tratamento daqueles doentes. "A terapêutica é cara e cada doente representa uma despesa de cerca de dez mil euros por ano."
O vírus da sida está a infectar mais mulheres portuguesas e pessoas mais velhas, o que preocupa os especialistas.
CAMPANHAS SEM IMPACTO
As campanhas publicitárias são a face mais visível da prevenção da infecção pelo VIH. Mas Henrique de Barros, Coordenador Nacional para a Infecção VIH/sida, reconhece que o impacto das campanhas é "pequeno". O responsável considera que as campanhas não são "seguramente a via fundamental para mudar os comportamentos". Este ano já foram distribuídos mais de cinco milhões de preservativos.
HENRIQUE BARROS, COORDENADOR NACIONAL INFECÇÃO VIH/SIDA: "MÉDICOS ESTÃO A NOTIFICAR MAIS"
Correio da Manhã – As pessoas infectadas com o VIH devem informar os profissionais da sua condição num Serviço de Urgência hospitalar?
Henrique de Barros – Não, o doente não tem de informar. O profissional de Saúde tem de aplicar um conjunto de regras individuais de protecção que minimizem o risco e se precisar dessa informação pergunta à pessoa, mas o profissional de Saúde não precisa de saber se o doente é seropositivo se o tratamento não implicar riscos. O risco existe quando poderá haver contacto com o sangue e/ou sémen.
– Não existe, portanto, essa obrigatoriedade de o seropositivo informar o médico ou o enfermeiro que o tratam?
– Não, até porque a pessoa que entra numa Urgência hospitalar pode estar infectada e não o saber.
– Qual a evolução dos novos casos de doença no País?
– O número de novos casos aumentou, porque os médicos também estão a notificar mais e por isso há um maior número de diagnósticos.
O MEU CASO
AMÍLCAR SOARES: "AINDA HÁ FALTA DE INFORMAÇÃO
Amílcar Soares já viu partir o companheiro, amigos e conhecidos. Convive com o vírus há 22 anos. É um caso raro de sobrevivência. É um resistente, um lutador. Conforme admitiu ao CM, não esperava viver tantos anos. "Quando soube o diagnóstico, pensei: ‘Pronto, daqui a três anos acaba tudo’." Enganou-se. Agarrou-se à vida com unhas e dentes e começou a estudar. Não parou mais.
Acabou o liceu na Escola António Arroio, em Lisboa, estudou à noite e depois foi para o Porto, onde se licenciou na Faculdade de Belas Artes, em Escultura. Actualmente, está a concluir o mestrado em Sexologia, abordando a temática da sexualidade entre duas pessoas seropositivas. Pelo meio, foi um dos fundadores da associação de apoio aos seropositivos – A Associação Positivo – Grupos de Auto-ajuda, criada em 1993. Pela associação já passou, em década e meia de existência, mais de um milhar de pessoas. "A maioria eram pessoas infectadas [com o vírus da sida]", diz Amílcar Soares. Tem a noção de que a associação foi um apoio importante para muita gente. "Damos apoio psicológico, jurídico, social e informação, pois ainda há muita falta de informação sobre a doença", admite. Diz que a falta de informação sobre a doença e a infecção "é manifestada, inclusive, muitas vezes por profissionais de saúde".
PERFIL
Amílcar Soares, 54 anos, é das raras pessoas que dão a cara pela doença no País. Luta contra a discriminação, de que já foi alvo, e nestas duas últimas décadas tem-se empenhado em apoiar infectados.
BLOCO DE NOTAS
DESPISTAGEM GERAL
Uma despistagem generalizada do vírus da sida e o tratamento imediato com antirretrovirais de todos os que fossem seropositivos permitiria, em dez anos, uma redução de 95 por cento do número de infectados. Esta é a conclusão de um estudo de investigadores da Organização Mundial de Saúde (OMS) publicado na edição electrónica da revista médica britânica ‘The Lancet’.
VÍRUS INFECTA MILHÕES
Cerca de três milhões de pessoas estavam a ser tratadas em todo o Mundo, em finais de 2007, com antirretrovirais. Porém, 6,7 milhões de seropositivos não dispunham desse tratamento e 2,7 milhões foram infectados no ano passado.
DESENCORAJAR TESTE
A Associação Positivo criticou, num workshop em Lisboa, alguns médicos de família "de desencorajarem os utentes dos centros de saúde de fazer o teste da sida". A falta de psicólogos e de formação dos clínicos gerais na área será uma das justificações para esse eventual "desencorajamento".
SIDA CAUSA DOENÇAS
A sida provoca doenças várias, designadamente cardiovasculares, metabólicas, o aparecimento de tumores, demências e infecção de quase todos os órgãos do corpo.
Fonte:
Cristina Serra
Correio da Manhã

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