Interpretação do Leucograma

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Interpretação do Leucograma

Mensagem por enfermagemPT em Seg 24 Mar 2008 - 16:30

Leucocitose: elevação do número total de leucócitos acima de 9.000/mm³. Pode ser devida ao aumento de
uma, duas, até três tipos de células, sendo as mais importantes neutrófilos, linfócitos e eosinófilos.
Leucopenia: redução dos leucócitos abaixo de 5.000/mm³, o que se deve, na maioria das vezes, à baixa dos
neutrófilos.

Desvio para a Esquerda
Consiste no aparecimento de elementos situados à esquerda dos bastonetes; formas imaturas, bastões e
metamielócitos. O desvio será mais intenso quanto maior o número desses elementos imaturos no sangue
periférico. Aparece principalmente nos processos infecciosos agudos, geralmente indica início do processo. Nas
infecções subagudas, crônicas ou reativadas não há desvio, e observa-se aumento dos neutrófilos
multisegmentados apenas.
Além de indicar cronicidade, pode definir prognóstico, uma vez que a redução do desvio indica evolução
favorável do processo.
- Agravamento de leucocitose e de desvio já presentes: agravamento de infecção aguda ou complicação.
- Agravamento de leucocitose e aparecimento de desvio: complicação de caráter agudo sobre uma
infecção de caráter relativamente benigno
- Agravamento de leucocitose sem ocorrência de desvio: processo em progressão, porém sem nova
entidade nosológica.
- Leucopenia seguida de leucocitose: complicação de uma infecção leucopenizante.
- Número normal de neutrófilos com desvio: a medula está sendo ativamente solicitada. A ausência de
neutrofilia pode indicar processo extremamente grave, com destruição neutrofílica em massa ou
infecção aguda que normalmente cursa com neutropenia (ex: febre tifóide).


Neutrofilia: leucócitos > 9.000, neutrófilos > 6.000/mm³. Causas patológicas:
- Infecções piogênicas: septicemia, escarlatina, abcessos, empiemas, apendicites, artrite supurada,
osteomielite aguda, otite média aguda, meningite... Atingem graus máximos nas coleções purulentas
sob tensão.
- Infecções viróticas: algumas, especialmente as neurotrópicas como encefalite, poliomielite, raiva.
- Complicações supuradas de infecções leucopenizantes: otite ou pneumonia no sarampo, perfuração
intestinal, peritonite na febre tifóide, etc...
- Destruição de tecido: infarto do miocárdio e pulmonar, queimaduras extensas, reabsorção do sangue
extravasado, perda de sangue ou hemólise extravascular.
- Período pós-operatório, choque.
- Neoplasias: necrose do tecido neoplásico, inflamação perifocal, leucemia mielóide, metaplasia mielóide,
policitemia vera.
- Intoxicações endógenas ou exógenas: uremia, acidose, eclampsia.
- Leucocitoses transitórias: estresse, liberação de adrenalina, glicocorticóides, exercícios físicos, etc...

Neutropenia: redução dos neutrófilos abaixo de 2.500/mm³

- Diminuição da produção:
  • o Drogas: agentes alquilantes (mostarda nitrogenada, busulfan, clorambucil, ciclofosfamida);
    antimetabólitos (metotrexato, 6-mercaptopurina, 5-flucitosina), antibióticos (cloranfenicol,
    penicilinas, sulfonamidas), fenotiazinas, tranqüilizantes, anticonvulsivantes (carbamazepina,
    oxicarbazepina), antipsicóticos (clozapina), diuréticos, AINEs, anti-tireotóxicos, etc...
    o Inibição da MO: esplenomegalias esclerocongestivas (síndrome de Banti), doenças de
    armazenamento (Gaucher, Niemann-Pick, etc), cirrose hepática, síndrome de Felty.
    o Parada carencial na maturação dos granulócitos: anemia perniciosa, carência de vitamina A,
    anemia ferropriva crônica.
    o Lesões químicas ou físicas da MO: intoxicações químicas, irradiação pelos raios X, uremia
    o Doenças da MO: mielose aplástica, mielose hipoplásica, esgotamento da medula (infecções
    protraídas, hemorragias prolongadas), invasão da MO ou substituição por tecidos estranhos
    (mielofibrose, mielopetrose, tesaurismoses, reticuloendotelioses, leucemias, etc).
    o Infecções: TB, febre tifóide, brucelose, tularemia, sarampo, mononucleose infecciosa, malária,
    hepatites virais, leishmaniose, AIDS.


- Aumento da destruição:
  • o Infecções graves ou protraídas
    o Anticorpos antineutrófilos ou retenção pulmonar e esplênica.
    o Doenças auto-imunes: Síndrome de Felty, artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico.
    o Iatrogenia: aminopirina, alfa-metildopa, fenilbutazona, propiltiouracil, sulfamidas, cloranfenicol,
    diuréticos com mercúrio, fenotiazidas.

- Distribuição alterada: febre tifóide, gripe, sarampo, fase inicial das viroses em geral, surto agudo de
malária, fase inicial de infecção bacteriana de grande monta (endotoxemia aguda), processos alérgicos.
Basofilia: pode aparecer na leucemia mielóide crônica, varíola, varicela, doença de Hodgkin, injeção de
proteína heteróloga, anemias hemolíticas crônicas, após esplenectomia.

Eosinofilia: eosinófilos acima de 4% ou 400/mm³. Causas:
- Infecções parasitárias: principalmente por helmintos que invadem os tecidos, como os da triquinose,
equinococose, ancilostomose, esquistossomose, ascaridíase, estrongiloidíase, cisticercose, filariose.
- Doenças alérgicas
- Dermatoses: pênfigos, dermatite herpetiforme, eritema multiforme.
- Hemopatias: leucemia mielóide aguda ou crônica, doença de Hodgkin, anemia perniciosa.
- Síndrome da infiltração pulmonar ou eosinofilia (PIE syndrome): Síndrome de Loeffler, eosinofilia
tropical, helmintíases, etc...
- Tumores: carcinoma brônquico, tumores do ovário, ósseos, sarcomas do sistema linfático e o SRE
- Outros: escarlatina, periarterite nodosa, tóxicos, irradiações, granuloma eosinofílico, sarcoidose, pósesplenectomia.
- Fase de cura de processos infecciosos agudos
- Eosinofilia familiar

Eosinopenia: abaixo de 60/mm³ ou mesmo desaparecem do sangue periférico. Neste caso, fazer a contagem
com mais de 400 células e percorrer os bordos da lâmina. Causas:
- Fase inicial dos processos infecciosos agudos ou reagudização de processo crônico: eosinófilos em
leucograma infeccioso sugere infecção benigna ou em vias de cura.
- Estados tóxicos: coma diabético, uremia, hemólise aguda, porfiria
- Choque, queimaduras, anóxia (reação “de alarme”)
- Esforço físico extenuante, inclusive trabalho de parto
- Administração de ACTH, corticóides, adrenalina. Síndrome de Cushing

Agranulocitose: quadro febril agudo com lesões necróticas em boca e faringe. Intensa granulocitopenia,
linfocitose relativa, ou linfócitos e monócitos reduzidos em números absolutos. As hemáceas e plaquetas
praticamente não se alteram. Causas: tóxicos industriais, medicamentos (benzol, tolueno, dinitrofenol,
aminopirina, antimoniais, etc), radiações ionizantes (raios X, rádio, etc), etiologia desconhecida.

Linfocitose: aumento dos linfócitos acima de 35% ou 3.500/mm³ no adulto ou acima de 45% em crianças até
3 anos de idade. Causas:
- Convalescença de infecções agudas: linfocitose pós-infecciosa
- Infecções agudas com intensa leucocitose e linfocitose: coqueluche (leucócitos = 15.000 a 20.000/mm³,
com 60 a 80%), mononucleose infecciosa (após a primeira semana, com numerosos linfócitos atípicos),
linfocitose infecciosa.
- Infecções crônicas: TB, sífilis, brucelose
- Leucemia linfocítica e linfomas
- Linfocitose relativa dos processos acompanhados de neutropenia, inclusive agranulocitose
- Fisiológica: na criança até 5 anos.

Linfocitopenia: só tem valor a absoluta, menos de 1.200/mm³ e 2.000 na criança até 3 anos. Denota, em
geral, mal prognóstico.
- Estados de imunodeficiência (aplasia tímica congênita)
- Cirrose hepática, caquexia, processos infecciosos graves, TB ganglionar, fase inicial das neoplasias,
doença de Hodgkin, linfomas administração de drogas citostáticas, fase aguda da febre tifóide e da
gripe (sem significar mau prognóstico nesses 2 últimos casos).

Monocitose: elevação dos monócitos acima de 8% (650/mm³). Causas:
- Certas infecções bacterianas: TB, endocardite bacteriana subaguda, brucelose, tifo exantemático, febre
tifóide (raramente)
- Fase defensiva das infecções agudas: fase de melhora da agranulocitose
- Diversas infecções por protozoários: malária, calazar, tripanossomíase
- Doença de Hodgkin, doença de Gaucher
- Leucemia monocítica
- Comprometimento de órgãos ricos em elementos do SRE

Monocitopenia: monócitos abaixo de 4% ou 150/mm³. Causas:
- Fase aguda de processos infecciosos
- Caquexia, desnutrição (ausência de reação do SRE).

Quadro Leucêmico: a cifra de leucócitos pode estar aumentada, normal ou francamente leucopênica (até
“agranulocitósica”), este último ocorrendo principalmente na leucemia aguda, na qual também aparece o hiatus
leucemicus, aparecimento de formas muito imaturas ao lado de formas plenamente maduras, sem formas
intermediárias. Há perturbação acentuada da série vermelha, encontrando-se freqüentemente 2.000.000 a
3.000.000/mm³ no início da doença, já com eritroblastos orto- ou policromáticos, que com esses valores ainda
não são encontrados. Observa-se geralmente trombocitopenia, especialmente na leucemia aguda.
- Leucemia mielóide crônica: os leucócitos podem atingir 200.000 a 500.000/mm³ e ainda mais, sendo
excepcionais as formas subleucêmicas ou aleucêmicas. Observam-se formas imaturas em todos os
graus, mieloblastos, mielócitos, metamielócitos, etc.
- Leucemia linfóide crônica: típico encontrar 90% de linfócitos adultos, com poucas formas jovens e
leucocitose, porém com menos células que na mielóide, raramente ultrapassando 250.000/mm³.

Reação Leucemóide: elevação muito acentuada dos leucócitos (mais de 30.000/mm³), a ponto de suscitar
confusão com leucemia. A diferenciação se dá porque a reação leucemóide pode mostrar formas jovens, porém
nunca paraformas (paramieloblastos, paralinfoblastos). A série vermelha não apresenta anormalidades. Causas:
- Infecções: pneumonia, meningococcemias, difteria, mononucleose infecciosa, coqueluche, etc...
- Doenças malignas: metástases ósseas, doença de Hodgkin, mieloma múltiplo, etc...
- Outros: eclampsia, queimaduras, acidose diabética, período hemorrágico ou pós-hemolítico, etc...


Infecções no Leucograma
- Infecções agudas por cocos piogênicos: leucocitose + neutrofilia. Três fases de Schilling:
  • o Luta ou Neutrófila: leucocitose + neutrofilia + desvio nuclear para esquerda + aneosinofilia +
    linfocitopenia relativa
    o Defensiva ou Monocitária: leucocitose menos acentuada, diminuição da neutrofilia, diminuição
    do desvio, reaparecimento dos eosinófilos, linfócipenia ou linfócitos normais, monocitose.
    o Cura ou Linfocitária: leucócitos normais ou ligeiramente aumentados, neutropenia,
    desaparecimento do desvio, linfocitose, eosinofilia, monócitos normais ou aumentados.
- Infecções crônicas inespecíficas: leucocitose variável, por neutrofilia e/ou linfocitose. Desvio
ausente ou muito discreto, seu aparecimento indicando reagudização ou complicação. Monocitopenia
relativa, por aumento de linfócitos e neutrófilos, porém monocitose absoluta.
- Processos específicos: Germes com cápsula lipoídica (TB, Hansem, espiroquetas, etc): monocitose
indica processo em evolução e linfocitose nas fases crônicas indica boa resistência e tendência para a
cura. Podem provocar reação linfóide, reação monocitária, reação mielóide, em graus crescentes de
força de infecção.


Referências Bibliográficas:
1. BRAUNWALD, E.; FAUCI, A.S.; KASPER, D.L.; HAUSER, S.L.; LONGO, D.L.; JAMESON, J.L (ed):
Harrison`s Principles of Internal Medicine, 15th edição. New York, Ed. McGraw-Hill; 2001.
2. MILLER, O.; GONÇALVES, R.R.: Laboratório para o clínico, 8ª edição. São Paulo, Editora Ateneu;
1995.
3. HARDMAN, J.G.; LIMBIRD, L.E. (ed): Goodman`s and Gilman`s The Pharmacological basis of
Therapeutics, 9th edition. New York , Ed. McGraw-Hill; 1996.
4. LÓPEZ, M.; LAURENTYS-MEDEIROS, J.: Semiologia Médica, 4ª edição. Rio de Janeiro, Editora
Revinter; 1999.
5. COTRAN, R.S.; KUMAR, V.; ROBBINS, S.L.: Patologia Estrutural e Funcional, 5ª edição. Rio de
Janeiro, Ed. Guanabara Koogan; 1996

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